01/06/2008

Cadernos de Domingo - Home ec. 101

Continuando a falar do vil metal, importa muito a uma Lady nunca ser apanhada com as "calças na mão".
Ouvimos cada vez mais a temática do endividamento das famílias, do aumento dos combustíveis e consequente aumento de todos os outros produtos e serviços que consumimos.
O que fazer?
Pese embora se possa crer que uma qualquer das próximas sextas-feiras o Euromilhões pode contemplar o nosso talão, convém fazer como os escuteiros e estar preparada.

Acreditem que a solução não é usar correntemente frases como "Não sei para onde foi o meu dinheiro!" ou "Hoje não dá porque não há guito!"
Para além de nada elegantes, muitas vezes apenas demonstram que quem as usa é apenas um pouco menos auto consciente das suas reais possíbilidades.
Obviamente que pessoas que rondam a faixa média de ordenados em Portugal ( que rondam neste momento os 650€) não podem ter nos seus lares todos os equipamentos mais high tech, fazer todos os fins de semana viagens fora cá dentro, comprar acessórios Prada, etc.

Mas podem muito bem: andar de cabeça erguida porque não contraíram dívidas incomportáveis, ter as suas necessidades básicas asseguradas e conseguir alcançar um pé de meia para qualquer imprevisto.
O recurso cada vez mais escasso que é o poder de compra, tem que ser visto como o que realmente é: um bem raro.

Pontos essenciais:
Não viver um passo acima das possibilidades;
Manter uma visão distanciada para melhor poder controlar impulsos.

Vamos pensar no esquema mais comum, uma família. Esta família tem que ser vista como uma empresa: dois sócios fundadores, com um ou mais membros.
Os dois sócios fundadores têem, regra geral, papeis bem definidos:
ela - gestora
ele - co-administrador

Não vivemos em contos de fadas, estudos o comprovam, as mulheres sao responsáveis na maior parte dos casos por toda a gestão doméstica, pois executam a maior parte dos gastos. Excepção feita às despesas mais avultadas, normalmente o poder decisório é delas.

Os membros extra são essencialmente custos de produção e manutenção da vitalidade da empresa "família", por isso têm um papel, mais abaixo na hierarquia, no entanto agem como impulsionadores de consumo.
Não é de espantar se tivermos em conta que as crianças e os jovens adolescentes são grandes "lobbys" consumistas no seio de qualquer família (obviamente porque não têem real noção dos custos associados à experiência que é viver! ) problema educacional e de formação ou mero resultado da invasão mental a que são sujeitos desde tenra idade pelos mass media.

O que faz então a Lady? A tarefa é, devo admitir ingrata.
Em primeiro, somar todos os rendimentos certos ( caso existam rendimentos variaveis fazer uma projecção por baixo para evitar más suspresas) que mensalmente ficarão disponíveis para a família.
Esse será o orçamento mensal, e é com ele e apenas ele que devemos contar.

Do outro lado da balança pesarão obviamente as despesas:
as fixas mensais (renda/prestação habitação, luz, gás, água, colégios, etc)
as periódicas planeadas (seguros, que regra geral se pagam anualmente, regresso às aulas, impostos com a habitação e automóvel, etc)
as variáveis (alimentação, roupas e calçado)
as extraordinárias (problemas de saúde, presentes, férias, etc)

A magia começa agora: como vai chegar para tudo? E se não chega, onde podemos cortar de modo a viver dentro do que é possível de modo e a diminuir a ansiedade de nunca mais ver no calendário o dia de receber!
É fulcrar entender o que é essencial do que é acessório: poderão pensar que se trata de algo subjectivo, mas não o é de facto.
Essencial é: ter um tecto, andar vestido e limpo, ter alimento, e poder aceder a cuidados de saúde.
Tudo o resto não é essencial (modas, linhas XPTO de material escolar, férias em Cancun, LCD's, etc).

Junho tem 5 domingos, haverá 5 cadernos.
Os próximos tópicos serão:
Despesas fixas mensais - a taxa de esforço
Despesas periódicas fixas - o primeiro mealheiro
Despesas variáveis - continuação da contenção
Despesas extraordinárias - o segundo mealheiro
Caso haja sucesso, poderemos no próximo mês falar da tão almejada poupança.

Be loaded

2 comentários:

Elisa Albuquerque disse...

Para mim é mto essencial essa matéria e estarei bem atenta a tudo que lhe diga respeito.... jinhos e boa semana

IsaMar disse...

espectacular este teu post. O que aqui pensas é o que eu penso e tento seguir. Nunca o conseguiria passar para texto por isso, dou-te os parabéns. O lema será sempre: gastar dentro dos nossos limites e não para além deles.
jinhos meus